segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Características gerais da Filosofia Bizantina

Este brevíssimo artigo tem como objetivo lançar uma primeira luz sobre um assunto tão pouco difundido e conhecido, não somente no Brasil como no exterior, a Filosofia Bizantina.
Nosso propósito aqui não é fornecer uma introdução, mas apenas expor algumas características gerais da filosofia produzida no Império Oriental do século IX a meados do XV.


Essa filosofia é intitulada Bizantina por causa de Bizâncio que foi o primeiro nome da capital do império oriental depois que o Império romano foi dividido por Teodósio I no século IV da era Cristã. Depois o nome da capital mudou para Constantinopla, mas convencionou-se chamar de bizantina toda a história do império do oriente até a queda de Constantinopla em 1204, bem como a filosofia produzida nesse império e nesse período. Portanto, filosofia bizantina é toda a filosofia produzida no império oriental desde o século IX a meados do século XV.
Depois desses esclarecimentos de ordem mais geral passemos a alguns aspectos dessa filosofia que devem ser destacados e que é o objetivo de nosso estudo:
1º. Do século IX à meados do século XV a filosofia é considerada como “helênica”[1], isto é, como estranha. Nesse sentido a Philosophia é tida como “ciência exterior”. A filosofia é a ciência do que está fora (exôthen, thyrathen) e oposta à teologia cristã. Teologia cristã para os bizantinos é a verdadeira filosofia, a “filosofia do interior” ou “filosofia que está dentro”. Em consequência dessa contraposição temos o segundo ponto:
2º. A filosofia tem uma completa autonomia teórica. Isso fica bem claro quando comparamos a filosofia bizantina com a filosofia medieval, a filosofia em Bizâncio não é serva da teologia. Mesmo a lógica não tem o estatuto de instrumento privilegiado da teologia como acontece na filosofia medieval latina do ocidente cristão. No caso da teologia, não há uma ciência teo-lógica, ou seja, uma elaboração dialética e lógica dos conteúdos da fé cristã. Para indicarmos melhor ainda as características da filosofia bizantina temos que saber que também, de forma diversa do mundo latino...
3º. A teologia é puramente monástica e não é ensinada escolarmente, por isso não podemos falar de uma escolástica bizantina. Diferentemente do estatuto que a teologia goza no mundo latino-cristão principalmente nos séculos XIII e XIV, o ensino superior bizantino não tem uma faculdade de teologia, o ensino superior visa apenas formar funcionários.
4º. O ensino da filosofia mesmo que institucionalizado pelo poder, é ainda um prolongamento de um ensino privado, além de ser quantitativamente modesto.
5º. O modelo do filósofo bizantino é o do “enciclopedista”. A filosofia é mais orientada para as disciplinas positivas (o quadrivium dos latinos) do que para a metafísica. Por consequência, o filósofo é um bom erudito capaz de ensinar a maior variedade possível de assuntos.
Enfim, a filosofia bizantina tem um perfil original próprio característico do império do Oriente que deve ser analisado com cuidado. É o que faremos em futuros artigos. Por enquanto esperamos que esta breve exposição nos ajude a abordar a compreensão do fenômeno filosófico em Bizâncio.



Bibliografia Consultada
LIBERA, Alain De. A filosofia medieval. Tradução Nicolás Nyimi Campanário; Yvone Maria de campos Teixeira da Silva. São Paulo: Edições Loyola, 1998


[1] Fique bem claro aqui a diferenciação entre helenismo concebido como o conjunto cultural herdado do mundo grego pelo império romano, e que começou a se propagar a partir das conquistas de Alexandre o Grande, e helenismo como concebido pelo império oriental de orientação cristã, sendo que nesse caso, helenismo é tudo aquilo que não é cristão e é estranho à fé.

1 comentários:

Unknown disse...

Imperio Bizantino foi principal destruidor do Cristianismo, reservadas proporções , Platão foi culpado por estas ideias por não concordar com ideias teologicas do imperio romano...

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