Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Locis Communes Theologiae [unus]

A expressão latina acima pode ser traduzida como: "os lugares comuns da teologia". Para entendê-la temos que saber o que quer dizer em linguagem acadêmica lugares comuns. Seu significado em linguagem popular poderia ser algo como "clichê". Cliclês existem em todas as áreas do discurso, e não seria diferente na teologia. É algo difícil de se escapar, você tem que estar atento, os clichês se referem aos discursos sim, mas também as atitudes e as posturas baseadas ou dependentes desse discurso.
Sou inimigo de chichês por natureza, eles me irritam, talvez por causa de minhas frustrações escolares. Na escola de ensino fundamental e médio, para você fazer parte de determinado grupo você tem que ter um palavreado específico, determinados trejeitos de andar e frequentar lugares que o grupo frequenta, isso também é certo tribalismo "necessário". Os jovens em sua ânsia de se descobrirem e serem aceitos muitas vezes se inserem nestes grupos e suas exigências, "entram na barca", como dizia uma expressão amazonense que quer dizer que a pessoa é facilmente influenciável. Mas será que tudo isso se refere apenas as escolas? Não, os seminários, faculdades e universidades tem as suas classes e sub-classes. O teólogo possui o seu palavreado, os lugares que frequenta, etc.
Os rótulos são lugares comuns e tentativas de segregar e determinar discursos e posturas para poder depois excluir o diferente. Os rótulos quase sempre não correspondem a realidade, mas na verdade são um poderoso mecanismo de controle e coerção. Deixem-me dar um exemplo: hoje é corriqueiro nas faculdades teológicas e de ciências da religião classificar alguém de fundamentalista ou liberal. Aliás baseados nesses rótulos se formaram as alas fundamentalista e liberal na disputa pelo espaço teologal, cada um execrando o outro. Parecem duas torcidas de futebol rivais. No entanto, na teologia as coisas não podem ser definidas assim, o discurso teológico vai muito além da dualidade, a base do diálogo e a possibilidade de expressão do outro, quando isso é retirado há uma silenciação e exclusão. Criticar o outro por ser fundamentalista ou liberal não é errado, desde que isso se faça a nível racional, o que questionamos é o ato de não dar ao outro o direito de ser teólogo por causa de seu discurso. Quando rotulo alguém eu já me indisponho a ouvi-lo. Muitos liberais tem raiva dos fundamentalistas, mas se esquecem que estes últimos possuem uma boa base teórica e filosófica que fundamentam a sua postura. Por sua vez os fundamentalistas só sabem chamar os que pensam diferente de liberais. O liberal muitas vezes se transforma em um defensor tão ferrenho de seu liberalismo que transforma este em ortodoxia, uma ortodoxia liberal. É uma armadilha em que muitos teólogos calouros caem ao entrar numa faculdade de linha liberal.
Tanto o que se intitula de liberal, bem como o fundamentalista fazem um des-serviço para a teologia. Os rótulos muitas vezes impedem de que nos abramos os diferentes discursos teológicos em sua diversidade. O liberal pode aqui reclamar por dizer que sempre estará aberto ao discurso diversificado no labor teológico, mas até onde ele está disposto à ouvir o fundamentalista. E o fundamentalista? Será que ele ao menos ouve o liberal? Ou seu estudo da teologia liberal é apenas uma doxografia dos ditos liberais que servem no caso de necessidade de algum dia refutar um liberal caso o encontre?

Continua...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Um Pouco Mais Sobre...

A palavra diário é certamente mais um título do que mesmo alguma coisa como gênero literário. A seguir o que o leitor vai ver são na verdade alguns pensamentos, descrições, crônicas, e vez ou outra uma poesia. Aqui busquei uma espécie de libertação, nada de sermões, livros doutrinais, artigos acadêmicos, ou coisas semelhantes que se atribui à um teólogo profissional. Até no nome fui livre, pois nisso que convencionei chamar de diário na verdade é mais uma tentativa de expressar um pouco mais o que é a alma de um teólogo, do que simplesmente exercer uma atividade teologal.
Isso muito esclarece, pois alguém pode pensar que aqui encontrará o que pensa o teólogo, e na verdade eu falo de um teólogo, ou seja, de mim mesmo apenas, pois não quero que o que eu penso e vivo seja imputado aos teólogos em geral. No entanto, não posso deixar de dizer que mesmo na minha individualidade não deixo de participar dessa classe, e por certo em muitas coisas expresso a universalidade teologal, se é que isso existe.
Ainda devo falar que, certamente, mesmo aqui não conseguirei me libertar das tarefas teológicas mas, com certeza elas serão bem menores, por isso, gostaria que o leitor encarasse esse diário mais como uma forma de se divertir, de passar o tempo. Mas no fim, ele tem o direito de fazer a sua leitura, se quiser, como teologia, diremos que ele tem direto de fazer sua hermenêutica, de ler a partir do seu ponto de vista, pois a partir do momento em que estes escritos se tornaram públicos, eles de certa forma estão sobre seu poder, e deles podem fazer o que quiserem.
Para mim, infelizmente, somente no último período do curso comecei a escrever esse diário que agora vem a lume nesse blog, mas para quem vai lê-lo não, pois será poupado das puerilidades as quais são vítimas o calouro de teologia. Alguém poderia objetar que como alguém que estuda as Escrituras Sagradas poderia obedecer ao conselho evangélico que diz: “Aquele que não se fizer como uma criança não pode ver o reino de Deus”, ao que eu, chatamente contraporia a esse texto o de Paulo: “Sede meninos na malícia, mas não no entendimento”, e por mais que o leitor não tenha se convencido dessa simples tentativa sistemática, eu não fico triste, pois a intenção não é convencer ninguém, e sim em simples atitudes como essa, mostrar um pouco do que é um teólogo, bicho tão estranho, ainda mais no Brasil.
Em um sentido importa que a sentença faça sentido para quem a elaborou, mas sabemos que sem o reconhecimento do outro sobre o sentido que damos à algo, o sentido não existe para quem está vivendo-o, tal sentido só existe no diálogo, na vida comunitária.
Enfim, já falei muito para coisas como apresentação e semelhantes, não usarei a palavra prologômeno, um diário não precisa de um prologômeno, ela é uma apresentação, e como tal deve ser breve, e apenas preparar o leitor para o que virá, e na verdade, nessas apresentações quis apenas esclarecer algumas coisas.

Apresentação

Ao criar um segundo blog sei que corro o risco de ser disperso, o que não é mentira, mas reconheço minhas dificuldades de temperamento, o que não me impediria jamais de fazer algo como um segundo blog.
Não acalento o sonho de um blog bombástico. Abandonei as ilusões da fama à muito tempo, quero apenas um lugar onde eu possa escrever coisas que me vêem à cabeça e ao coração.
Os "Rabiscos de Teologia Filosofia e Literatura" foram um lindo projeto, mas muito superior às minhas forças e ao meu tempo. Não que essas três manifestações do espírito humano não me cativem e sejam minhas paixões, entretanto, dedicar-se à um blog com tal título seria difícil mesmo para alguém que fizesse apenas isso na vida, por isso, prefiro que estas três "artes" fiquem ao nível da especialidade.
Outra coisa, poderia criar um blog com apenas um dos três temas, entretanto, minha paixão por eles não me deixariam fazê-lo, como já disse, conheço um pouco minha personalidade, e para evitar me dispersar, prefiro que estes e outras áreas do saber humano possam ser inseridas numa narrativa mais pessoal e interessante. A literatura "confessional" é o melhor método para isso no meu ver.
Diário, como já diz o título pretende ser reflexões diárias de qualquer espécie, e o genitivo "teólogo" indica que, sempre  a reflexão será tocada pela consideração que envolva o "outro", e o totalmente "Outro".

Sejam bem vindos
 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | cheap international calls