terça-feira, 9 de agosto de 2011

Providência


Olá.
Hoje resolvi escrever alguma coisa de cunho pessoal nesse diário... aliás o nome desse blog é diário de um teólogo, portanto espera-se que se escreva alguma coisa sobre algo que acontece diariamente com um teólogo.
Deixando de lado as discussões acerca do estatuto do teólogo, ou seja, se ele pode ou não ter fé, digo de entrada que tenho fé, fé não somente como assentimento a alguma proposição ou fato, mas fé religiosa, fé num poder superior e que tudo governa, e creio que esse poder governa a minha vida.
A seguir, vou relatar uma experiencia que para alguns pode ser boba ou mesmo puro acaso para outros, mas que para mim tem significado especial e que só confirma cada vez mais a minha fé numa providência que tem sido cada vez maior.
Muitas vezes, os cristãos começam a enfraquecer em sua fé porque Deus não respondeu alguma oração sua ou pedido. É normal, mas para vocês também conto a experiência que se segue:
Hoje não era um dia tão normal, pois acordei ansioso para comprar dois livros texto do curso de latim que estou fazendo. Pela manhã escrevi alguma coisa, estudei, fiz minha devocional, e a tarde, portanto, me dirigi até a livraria Martins Fontes na Avenida Paulista para adquirir tanto a Gramática quanto o livro de exercícios Reading Latin. Comprei as obras e algum material escolar no cartão de debito. Já lá fora, fiquei raciocinando que não tinha nenhum dinheiro em espécie para comprar alguma comida já que de lá teria que me dirigir à USP, pois tinha uma matéria para fazer a noite, no entanto, como não estava com fome acabei tomando o coletivo em direção à cidade universitária, coletivo esse que espero não tomar tão cedo, o garotinho parece que rodou a cidade todinha.
Chegando na FFLCH me dirigi até à biblioteca para devolver os livros, a essa hora meu estômago já estava enrolando de tanta fome. Fui até a lanchonete do prédio de Letras que aceita cartão, pedi meu lanche, mas na hora de passar o cartão, o rapaz que me atendia disse com um sorriso complacente e para mim decepcionante: “infelizmente não aceitamos cartão de crédito, só débito”. Daí em diante as negativas somente se multiplicaram em todas as lanchonetes adjacentes, até eu desistir de comer. Pensei: “hoje é esperar até chegar em casa”. Agradeci a Deus e me dirigi até a sala de informática do prédio de filosofia e ciências sociais. Escolhi um pc e o liguei, e quando olhei para o chão vi uma nota de dois reais olhando para mim. Também fitei-a com doçura rsrsrs, tomei-a nas mãos, agradeci à Deus e pensei: “o bandejão tá garantido”.
Então vocês me perguntam: “é o fim dessa história boba?”. E eu respondo: “não, o fim se dará no bandejão da química para onde estou me dirigindo agora para jantar!”

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Politês ou Cosmopolita? O que somos?

       O termo grego politês significa originalmente o homem que vivia na polis, na cidade, atuando de forma política, ou seja, de forma social para o bem comum. Por sua vez, cosmopolita é o nome dado ao homem que vive a dimensão da cidade universalmente no mundo, cosmos se refere à economia do mundo, ou seja tudo o que se refere e se dá no mundo, em cosmopolita o politês já não pertence à uma polis específica, a uma cidade como era o caso de Atenas, sua cidade (polis) é o mundo, sua atuação social agora se dá no  mundo.

   
   Hoje vivemos numa tendência mais e mais globalizante, onde as especificidades locais dão lugar a influências de ordem mundial e que acontecem em qualquer lugar do mundo. Diante disso vocês acham que temos lugar para uma vida política (social para o bem comum) que leve em conta as especificidades de onde vivemos ou a cidadania "universal" não nos permite mais isso?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Características gerais da Filosofia Bizantina

Este brevíssimo artigo tem como objetivo lançar uma primeira luz sobre um assunto tão pouco difundido e conhecido, não somente no Brasil como no exterior, a Filosofia Bizantina.
Nosso propósito aqui não é fornecer uma introdução, mas apenas expor algumas características gerais da filosofia produzida no Império Oriental do século IX a meados do XV.


Essa filosofia é intitulada Bizantina por causa de Bizâncio que foi o primeiro nome da capital do império oriental depois que o Império romano foi dividido por Teodósio I no século IV da era Cristã. Depois o nome da capital mudou para Constantinopla, mas convencionou-se chamar de bizantina toda a história do império do oriente até a queda de Constantinopla em 1204, bem como a filosofia produzida nesse império e nesse período. Portanto, filosofia bizantina é toda a filosofia produzida no império oriental desde o século IX a meados do século XV.
Depois desses esclarecimentos de ordem mais geral passemos a alguns aspectos dessa filosofia que devem ser destacados e que é o objetivo de nosso estudo:
1º. Do século IX à meados do século XV a filosofia é considerada como “helênica”[1], isto é, como estranha. Nesse sentido a Philosophia é tida como “ciência exterior”. A filosofia é a ciência do que está fora (exôthen, thyrathen) e oposta à teologia cristã. Teologia cristã para os bizantinos é a verdadeira filosofia, a “filosofia do interior” ou “filosofia que está dentro”. Em consequência dessa contraposição temos o segundo ponto:
2º. A filosofia tem uma completa autonomia teórica. Isso fica bem claro quando comparamos a filosofia bizantina com a filosofia medieval, a filosofia em Bizâncio não é serva da teologia. Mesmo a lógica não tem o estatuto de instrumento privilegiado da teologia como acontece na filosofia medieval latina do ocidente cristão. No caso da teologia, não há uma ciência teo-lógica, ou seja, uma elaboração dialética e lógica dos conteúdos da fé cristã. Para indicarmos melhor ainda as características da filosofia bizantina temos que saber que também, de forma diversa do mundo latino...
3º. A teologia é puramente monástica e não é ensinada escolarmente, por isso não podemos falar de uma escolástica bizantina. Diferentemente do estatuto que a teologia goza no mundo latino-cristão principalmente nos séculos XIII e XIV, o ensino superior bizantino não tem uma faculdade de teologia, o ensino superior visa apenas formar funcionários.
4º. O ensino da filosofia mesmo que institucionalizado pelo poder, é ainda um prolongamento de um ensino privado, além de ser quantitativamente modesto.
5º. O modelo do filósofo bizantino é o do “enciclopedista”. A filosofia é mais orientada para as disciplinas positivas (o quadrivium dos latinos) do que para a metafísica. Por consequência, o filósofo é um bom erudito capaz de ensinar a maior variedade possível de assuntos.
Enfim, a filosofia bizantina tem um perfil original próprio característico do império do Oriente que deve ser analisado com cuidado. É o que faremos em futuros artigos. Por enquanto esperamos que esta breve exposição nos ajude a abordar a compreensão do fenômeno filosófico em Bizâncio.



Bibliografia Consultada
LIBERA, Alain De. A filosofia medieval. Tradução Nicolás Nyimi Campanário; Yvone Maria de campos Teixeira da Silva. São Paulo: Edições Loyola, 1998


[1] Fique bem claro aqui a diferenciação entre helenismo concebido como o conjunto cultural herdado do mundo grego pelo império romano, e que começou a se propagar a partir das conquistas de Alexandre o Grande, e helenismo como concebido pelo império oriental de orientação cristã, sendo que nesse caso, helenismo é tudo aquilo que não é cristão e é estranho à fé.
 
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