terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Meu encontro com Giovanni Parlucci

      Há algum tempo viajei para a Itália. Há uns dois anos atrás. Enquanto passeava a beira do lago Maggiore, me sentia uma pouco triste e melancólico. Quis sentar num banco que estava ali perto para observar os cisnes sob o lago. Preparava-me para ir até a pequena casa com uma bela vista para o lago quando se sentou ao meu lado um homem, de chapéu, porte médio e olhos tranquilos, mas um tanto vivos e em alguns momentos um tanto vagos. Tentei conversar com ele em meu péssimo italiano, ele se mostrou cordial, levantou a cabeça e me saudou. Falei sobre as belezas da Itália, ele se mostrou tranquilo, e não muito animado ao falar do assunto, assim mesmo exaltou as belezas italianas. Mostrou-se um homem viajado, conversamos bastante, convidei-o para ir até a casa que tinha alugado, depois de relutar um pouco decidiu me acompanhar, desculpei-me por não oferecer melhores acomodações, ao que riu polidamente. Jantamos, conversamos sobre história, literatura, poesia, perdemos o horário, pegou seu chapéu para ir, mas eu insisti para que dormisse ali aquela noite, coisa de brasileiro. Ele decidiu ficar. Abrimos um Luce Della Vite da Toscana, de uma boa safra, apreciamos o vinho com calma, falamos sobre literatura inglesa e alemã. Terminado o vinho, a hora era alta. Depois de certo tempo avisei que iria descansar um pouco, o homem se deitou. Quando acordei pela manhã, o homem já tinha partido, olhei para a cama onde estava, vi alguns papeis, ele tinha se esquecido, eram uns rabiscos, pareciam poemas, sim, li e vi que eram poemas que me agradaram, falavam da natureza, tinham um tom bucólico e espiritual. Em vão tentei encontrar o homem, andei por toda a costa durante os dois dias perguntando sobre ele, se chamava Giovanni Parlucci, fui a dois restaurantes onde acho que tinha passado, mas apenas um tinha o seu nome em umas das contas, consegui-a com muita insistência com o gerente, soube que ele tinha passado pelo outro através da descrição que fiz, o garçom confirmou-as, mas foi tudo em vão. Enfim, terminei minha turnê pela Itália, ainda passei pela França e finalmente voltei ao Brasil. Procurei por muito tempo Giovanni Parlucci, tentei ver o seu nome em livros de poesias, em vão, nenhuma publicação. Até hoje tenho algumas de suas poesias comigo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Hora da Minha Vida


Meus olhos se encontram protegidos
Por essas folhas tão verdes, unidas
Nessa tarde já pintada
De cor laranja

Sinto essa tardinha
Sinto chegar a noite
Aproximar-se a placidez
Que aceita o fim da existência

Fim nostálgico
Daquilo que já foi
Começo embevecido
Desse meio infinito
Desejo de que a vida
Parasse nesse instante
Pro meu eterno contemplar
Desse momento

Essa é a hora da poesia
Hora da minha vida


Ao longe contemplo as igrejas
Os sinos que tocam
As folhas que caem
Das cópulas das árvores

O sol a se pôr
E seus raios a me atingir
As cores que já escorrem
Escoando com o fim da tarde
São as que pintam meu mundo.

Giovanni Parlucci
 
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